quarta-feira, 23 de setembro de 2015

(qual a verdadeira) Natureza da escolha?

Somos voláteis para escolher decisões vitalícias
Somos errantes no nosso acerto pensado,
Ilusória inteligência-guia
O que rege vem do núcleo
imperceptível.

Eu guardo registros
da vida
de quando eu acertei e magoei
como uma suposta medida
da estima que posso ter

Experiências que poderia contar
Eu fico achando que isso vai definir uma rota do meu caminhar
mas a realidade é que não sabemos
O ímpeto é o despreparo, a apresentação de um ensaio
nada é sabido, nem pode ser descrito em cartilhas morais

Filosofias profundas não vão enraizar
os motivos de eu querer conhecer tua voz
ou correr ao invés de pagar pra ver.

A natureza da escolha? Eu não sei.
mas quero saber o que você vai gostar de fazer
nas tardes esquentando, a primavera a chegar
o riso do céu no poente Sol que também não explica nada
mas aquece tudo
e nessa hora
tudo se sente.

Eu escolhi você,
entre surtos, desenganos e achismos egóicos,
consciente.
E a ciência disso é saber que eu não faço ideia
'real'
de onde vem.

Por te amar nunca mais te amarei

A gente nunca mais vai ficar junto
Nunca mais.
Eu não suporto a ideia de isso acontecer, nós dois.
Mas eu te amo.
Eu te amei e sempre vou te amar como a primeira descoberta do amor.
Você é minha companheira de guerra,
a confiança que persiste após a desgraça
desgraça que inclusive nós fomos
você representa a esperança da vida após
a morte
que nós morremos, envenenados em desgosto.

Com a boca toda costurada
de palavras que proferimos
e nos furaram.
Bocas costuradas pra tentar calar o rancor
dos pequenos atos incompreendidos
Bocas costuradas porque os olhos são a janela da alma e a boca é o símbolo da paixão
de quando eu mordia seus lábios finos
e depois me mordia de vontade de quebrar o chão
pra tentar parar de ouvir o som da sua voz.

Você é o dia-a-dia
o aprendizado
E eu nunca mais vou te ver como "para mim"
mas você nunca entrou tanto em mim como agora
que não precisa mais.
que já passou.
E que bom ter passado.
Passado o assombro, ficou só o que sobrou.
Aprendizado nunca é demais, por isso, meu bem, você renasce em mim sendo infinita
Te reconhecer como obra-de-arte não me faz admirar tuas cores tanto quanto me faz reconhecê-las em mim, mostrando meus buracos
O que tapar, onde não pisar.
Também vejo as cores atrás das tuas cores.
A tempestade, a constante necessidade de explicações.
Nessa aquarela vívida, você está suspensa no museu das cicatrizes conquistadas da alma vivida, no altar mais bonito
Porque você me ensina todos os dias.
Desafiando todos os meus monstros
com a sua teimosia
radiante.

Obrigado por ter passado pela minha vida e resistir, me colorir.
Desejo sempre ao vento e eu a te sorrir.

Filho - Epifania

Meu filho, meu nome pra você é
Epifania
seu sobrenome será
Catarse
Tua filiação é com a
sintropia
e a
utopia,
filhos da
androginia,
dos anjos que não tem sexo,
das metades celestiais que se reencontram no
planeta profano

seu nome tem a ver com
resistência,
consciência,
contradicência
malemolência.
Você quebra estigmas
muros morais
paradigmas
indo além da razão por questões do coração, outrem sem compreender lhe chamarão:
dogma
doutrina
religião

quando na verdade, seu bradado louvor:
personificado,
concretizado,
carne e osso materializado,
sangue do meu sangue e vitalizado,

é amor.

Bebê

Pedro,
amado guerreiro
Filho do bem e do mal
Vai descobrir desde cedo
que o caminho é paradoxal
a questão é existencial, atemporal
Escolheu quebrar paradigmas
qual será teu sacrifício perante tuas escolhas?
Você já veio e já morreu.
Prometeu e voltou tão cedo.

Todos os dias, o teu ofício
é não se perder, iluminar por cima dos escombros
Se não fosse você, Pedro, não teria outro.

Sou teu servo e teu guia.
O ditado de lá já dizia
'Deus dorme na pedra... desperta no humano'
Seja bem vindo, amado filho.
Seu despertar é o meu caminhar.