terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Desagua

O vento sopra e de repente

Nuvens são supercontinentes, indo e vindo
o peso da nossa gravidade e o tempo que a gente demora
numa brisa, sopra meu cabelo
enquanto vidas passaram

 as mil vidas que são vividas em outros planos, outros tempos
enquanto nós estamos aqui
e não vemos nem o antes nem o depois da memória
só vemos passar tão rápido,
o externo ao lânguido do nosso peito
num dia lá
o que seriam para nós, aqui,
tempos geológicos

Será que eu vou fazer tudo aquilo pelo qual eu sou desperto a fazer?
Será que eu me liguei cedo demais?
Que ânsia paradoxal
de se esperar o dia
Pra viver de verdade

E enquanto não se vive
lições da nova idade.
Será que eu tô na infância
do meu despertar
Não quero desperdiçar
e começar a honrar esse compromisso
só depois que meus ossos estiverem a esfarelar

Todo dia é a mesma pergunta
será que a minha gota nesse oceano
eu sou capaz
de desaguar?

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